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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Minha depressão pós-parto

Este é o relato de A. sobre a sua experiência com uma depressão pós-parto para o espaço Compartilhando do blog Tudo Sobre Saúde Mental (veja aqui como participar):

"Tive uma gravidez plena. Meu filho foi programado, desejado e muito querido. Entrei na sala de parto e observei à minha obstetra que eu não havia tomado sequer um Tylenol durante toda a gestação. Meu filho nasceu de parto normal, sem qualquer intercorrência, absolutamente saudável e com apgar 9 e 10. Poucas horas depois, devido a um sangramento intenso, tive que ir para o centro cirúrgico para conter a hemorragia, o que resultou numa anemia aguda e a necessidade de receber transfusão de sangue. Acabei ficando 6 dias na maternidade, apesar de ter tido parto normal. Nunca imaginei que anemia causasse um cansaço tão grande, de tal maneira que só consegui dar banho no meu filho quando ele tinha 15 dias de vida.

Não sei como conseguia amamentá-lo, e ele crescia visivelmente. Mas após cerca de 1 mês de vida, comecei a me sentir triste, o cansaço aumentava pela privação de sono e percebi que meu leite diminuía, o que talvez tenha feito ele começar a dormir pior, e tornar as minhas madrugadas longas e insones. Notei também que fiquei completamente inapetente, e a vontade e disposição para tomar água havia reduzido sensivelmente, o que certamente dificultava ainda mais a amamentação e me causava uma certa preocupação.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Depressão pós-parto: estar atento e prevenir é o melhor remédio

A depressão pós-parto (DPP) é uma enfermidade que acomete cerca de 13% das mulheres após o nascimento do bebê e, se não tratada, pode trazer prejuízos importantes em todas as esferas: pessoal, familiar, no casamento e no desenvolvimento do bebê. Desta forma, é necessário estar atento e fazer o possível para previnir este grande mal.

A principal  forma de prevenção da DPP é o rastreamento e identificação de fatores de risco (fatores que predispõem a mulher a manifestar o quadro) pré-natais e no pós-parto imediato para que seja possível iniciar o tratamento do quadro o mais cedo possível. Pesquisas na área mostraram que os principais fatores de risco para a mulher desenvolver DPP são:
* mãe jovem
* não ter parceiro
* divórcio
* múltiplos estressores na vida
* poucos recursos sociais e econômicos
* histórico de depressão ou algum outro problema de humor na mãe
* presença de depressão durante a gestação

No entanto, é importante ressaltar que a presença dos fatores de risco supra citados só é capaz de identificar cerca de 30 a 40% das mulheres que vão desenvolver DPP. Adicionalmente, mulheres que são tratadas com antidepressivos de forma crônica antes de engravidar podem se beneficiar e previnir o quadro sendo tratadas com a associação de medicação antidepressiva e psicoterapia mesmo durante a gestação e no pós-parto.

Desta forma, na prática, a única intervenção que parece ser efetiva para mulheres com DPP é o reconhecimento precoce e o tratamento imediato da DPP no período pós-parto. É em função deste dado que é tão importante os profissionais de saúde que assistem a mãe estarem atentos e bem informados.

Fonte: Artigo "Postpartum Depression: Prevalence and Considerations in Screening" , de Barbara P. Yawn (publicado no site www.femalepatient.com ).
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As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Estudo inglês relaciona vício em internet com depressão

Uma pesquisa conduzida na Grã-Bretanha aponta ligação entre o vício em internet e depressão

Um estudo realizado na Universidade de Leeds, publicado na revista científica Psychopathology, mostrou que entre os 1.319 entrevistados, 1,2% usavam de forma exagerada a internet, prejudicando outras áreas de suas vidas.

Os pesquisadores responsáveis pelo estudo encontrou que essas pessoas, consideradas pelos estudiosos como viciadas em internet, eram cinco vezes mais deprimidas do que os usuários que não foram classificados como viciados.

Os cientistas afirmaram, porém, que não podem dizer que um problema necessariamente causa o outro e ressaltaram que a maioria dos internautas não apresenta transtornos de saúde mental. Como trata-se de um estudo do tipo transversal, não se sabe o que vem primeiro: se pessoas deprimidas são mais atraídas pela internet ou se internet causa depressão. Pesquisas adicionais são necessárias para esclarecer esta questão.

Recrutamento dos voluntários para a pesquisa

Os 1.319 voluntários participantes da pesquisa ocorreu através de sites de relacionamento e apresentaram entre 16 e 51 anos de idade (e idade média de 21 anos). Os pesquisados tinham que responder a um questionário online no qual eram questionados a respeito de quanto usavam a internet e quais eram os motivos. Também foram feitas perguntas sobre depressão.

Os autores do estudo classificaram 18 dos voluntários, 1,2% do total, como viciados em internet. Este grupo passou, proporcionalmente, mais tempo em páginas sobre sexo, jogos de azar e comunidades online. A pontuação deste grupo para sintomas depressívos mostrou níveis moderados a graves de depressão.


Metodologia questionável

Os críticos da pesquisa relatam que o vício em internet não pode ser diagnosticado de forma confiável com os métodos utilizados e a forma de recrutamento de pesquisados também podem produzir uma amostra com viéses.

Fontes: BBC Brasil, site Associação Brasileira de Psiquiatria
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As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.

sábado, 30 de janeiro de 2010

O pai e a depressão pós-parto

Aproximadamente um a cada 10 a 15 pais terão uma parceira com depressão pós-parto. Uma série de estudos mostraram que estes homens apresentam um risco significativamente maior de depressão e ansiedade quando comparados com aqueles cujas parceiras não apresentam depressão. A postura do pai também é muito importante para não agravar o quadro de humor da mulher.

Um dado de fundamental importância é que a resposta do homem à depressão pós-parto da companheira pode influenciar de maneira poderosa, para melhor ou para pior, o curso depressão da mulher. A maioria dos homens inicialmente ficam confusos e perplexos diante do quadro, mas dão apoio. No entanto, se a depressão se extende por meses, o apoio freqüentemente é retirado e o homem assume uma postura mais crítica ou até mesmo punitiva. Desta forma, é muito importante que os papais que estejam com dificuldade de lidar com a complicação de saúde da esposa procurem auxílio e orientação especializada, de profissional de saúde mental que tenha experiência na área.

O homem tende a considerar a irritabilidade da parceira (um dos sintomas de depressão pós-parto) e a sua falta de demonstração física de afeto muito mais difíceis de lidar do que a depressão em si, o pensamento negativo e o estado choroso típicos do quadro. O homem pode perceber este quadro como rejeição e reagir com raiva e ressentimento. Por sua vez, esta reação pode causar estresse adicional à mulher já deprimida, dando-se início ao primeiro dos inúmeros ciclos viciosos possíveis. Outras formas pouco adaptativas do pai de lidar com toda a situação podem surgir, como por exemplo, aumentar a ingestão de álcool.

O parceiro (e outros familiares) podem tender a progressivamente "assumir" os cuidados do bebê quando a parceira apresenta um quadro de depressão pós-parto. A mulher, por sua vez, pode perceber este fato como uma validação da sua "incompetência" e "inutilidade".

Quebra da capacidade de comunicar-se é muito comum nestes casais e isto, associado a outros estressores na relação pode, eventualmente, levar à separação. Se profissionais de saúde estiverem atentos a estes padrões, eles podem estar em ótima posição para ajudar romper estes ciclos viciosos e facilitar a recuperação da depressão.

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Fontes: (1) Condon Jt. What about dad? Psychosocial and mental health issues for new fathers. Australian Family Phisician 2006;35;690-92; (2) Condon JT, Boyce P, Corkindale CJ. The first time fathers study: a prospective study of the mental health and wellbeing of men during the transition to parenthood. Australian New Zealand Journal of Psychiatry 2004;38;56-64.

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domingo, 24 de janeiro de 2010

Nem tudo é mil maravilhas quando o seu filhote nasce

O puerpério (período que se inicia logo após o nascimento do bebê) é um momento de vida marcado por mudanças significativas de humor para a maioria das mamães. A maior parcela delas tem aquilo que se chama de "blues puerperal", mas algumas podem desenvolver um problema mais sério de saúde que é a depressão puerperal.


Foto de Eduardo Michelini
Nossa sociedade costuma pintar um quadro nada real do que é ser mãe de recém-nascido. Defende-se que tudo é maravilhoso, que você já se sente plena e completa assim que vê o seu bebê na sala de parto. Que o amor é imediato e a primeira vista. E a grande verdade é que para a maioria das mulheres não é assim. O puerpério imediato costuma ser marcado por muitas inseguranças, um senso de responsabilidade enorme por aquele ser pequeno e frágil que nasceu e por muito, mas muito cansaço. Noites mal dormidas são a regra, seios doloridos com a descida do leite, mamilos rachados e a dor do parto (na região da episiotomia ou da cesárea) são todos comemorativos do puerpério que poucos comentam com sinceridade nas rodinhas sociais. Talvez se não fantasiássemos tanto, como sociedade, o que é o puerpério, tantas mães não se surpreenderiam de forma tão intensa com as dificuldades (tão freqüentes e comuns) deste período.

Desta forma, uma conjunção de fatores biológicos (como as alterações hormonais, fatores genéticos, etc), físicos (cansaço, esgotamento, etc) e psicológicos (a maternidade, etc) interagem no puerpério de forma a predispor a mulher a algumas alterações de humor que são, essencialmente, de três tipos: (1) blues puerperal, (2) depressão puerperal e (3) psicose puerperal.

O blues puerperal (do inglês baby blues ou maternity blues) não é considerado uma doença, já que ocorre em cerca de 50 a 80% das puérperas e também não é caracaterizado por sintomas mais graves e não traz limitações para a mulher no seu dia a dia. Esta condição é caracterizada por choro, irritabilidade, mudanças rápidas de humor e até mesmo episódios de euforia, aparecendo em geral a partir do terceiro dia após o parto. Ele é tratado reassegurando-se a mamãe de que estes sintomas ocorrem na grande maioria das mulheres e que eles geralmente melhoram espontaneamente em uma semana a 10 dias. Em alguns casos menos comuns o blues puerperal pode evoluir para um transtorno pós-parto mais grave, como uma depressão pós-parto. No entanto esta é a exceção e não a regra.

Já a depressão pós-parto é uma condição que exige acompanhamento profissional e tratamento. Ela ocorre em cerca de 10 a 15% das mamães de primeira viagem e começa insidiosamente após a segunda a terceira semana após o parto e pode evoluir com piora da sintomatologia até meses subseqüentes. Duas características comum da depressão pós-parto são as múltiplas queixas físicas e a fadiga excessiva da mãe Outros sintomas presentes são a insônia, a anorexia, hipersonolência, tristeza extrema, sintomas ansiosos ou até mesmo ideação suicida. A mãe também pode referir se sentir completamente incapaz de cuidar de seu bebê. Episódios de depressão pós-parto devem ser tratados de forma incisiva, associando-se psicoterapia e medicação, já que quadros não tratados podem se tornar graves, freqüentes ou até mesmo não responsivos a tratamento futuro, com a mulher evoluindo para um quadro crônico e refratário de depressão.

Por fim, o quadro felizmente menos comum é a psicose pós-parto, que costuma acometer cerca de 0,2% das mães de primeira viagem. O quadro em geral se inicia entre o terceiro e o 14o. dia após o parto e começa com insônia, confusão mental, comportamento bizarro e evolui para alucinações e delírios transitórios. O quadro é altamente instável e muda o tempo todo, podendo aparecer quadros de aceleração e agitação extrema, seguidos por períodos de depressão profunda que dura vários dias ou semanas. A psicose pós-parto é extremamente grave, já que 4% das mulheres acomentidas acabam cometendo infanticídio (matam o bebê). Assim sendo, é de extrema importância que este quadro seja prontamente reconhecido e tratado, pelas potenciais conseqüências devastadoras que o seu não tratamento pode ter para o bebê, para a mãe, a família e a sociedade. O seu tratamento é feito com a imediata hospitalização da mãe (o que visa prevenir infanticídio e suicídio materno) associada ao uso de medicações e intervenções psicoterápicas. A orientação e apoio profissional à família também são de extrema importância.

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Fontes: (1) Parry BL. Postpartum psychiatric syndromes. In: Comprehensive Textbook of Psychiatry/VI. Editors: Kaplan HI and Sadock BJ. 6th ed. volume 1. pag. 1059-66, 1995, Willians and Wilkins.; (2) Callahen TL, Caughey AB ann Heffner LJ. Postpartum care and complications. Blueprints in Obstetrics, Blackwell Science, 1998


Foto: foto de Eduardo Michelini (clique aqui para acessar o site do fotógrafo)