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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Minha filha tem um transtorno alimentar. E agora?

Muitos pais ao terem a filha (ou filho) diagnosticado com um transtorno alimentar são invadidos por um turbilhão de sentimentos que incluem medo, sentimento de culpa, insegurança, raiva, entre outros. Não é incomum pais perguntarem "Doutora, onde foi que erramos?" ou mesmo chegarem ao consultório médico sem saber por onde começar para ajudar a filha a superar o transtorno alimentar. Sem saberem como agir e como abordá-la, muitos acabam acompanhando o quadro a distância, sentindo-se culpados e achando que o melhor é manter o distanciamento, quando já existem evidências científicas de que a melhor postura é justamente a contrária a esta.

Em primeiro lugar é importante ressaltar que, apesar da família poder contribuir para a causa ou mesmo a manutenção de um transtorno alimentar, os pais não podem ser considerados a causa primária  ou mesma exclusiva do transtornos alimentar em suas filhas. A própria Academy for Eating Disorders (AED, uma academia internacional que reúne especialistas do mundo todo) publicou recentemente um artigo de posicionamento reafirmando a não culpabilidade exclusiva da família na gênese do transtorno alimentar e a importância de sua participação no processo de cura (clique aqui para ler artigo do blog sobre o posicionamento da AED). Os transtornos alimentares são considerados quadros de causas múltiplas que se combinam para gerar a doença e podem envolver fatores genéticos, ambientais e/ou familiares na sua origem.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Papel da família nos transtornos alimentares: posicionamento de academia internacional

A Academy for Eating Disorders (AED), academia internacional que reúne pesquisadores e clínicos especialistas em transtornos alimentares em todo o mundo, publicou na revista científica International Journal of Eating Disorders (IJED), em janeiro de 2010, um artigo a respeito do seu posicionamento em relação ao papel da família nos transtornos alimentares.

É posição da AED que, embora aspectos familiares possam exercer algum papel na gênese e manutenção dos transtornos alimentares, o conhecimento científico atual refuta a idéia de que eles são os mecanismos exclusivos ou mesmo primários nos fatores de risco para a doença. Desta forma, a AED se posiciona de forma categórica contra qualquer modelo causal de transtorno alimentar na qual a influência familiar é vista como a causa primária da anorexia ou bulimia nervosa, além de condenar afirmações generalizadoras que sugerem a culpa da família na doença de suas crianças. Além disso, a AED recomenda que as famílias sejam incluídas no tratamento de pacientes mais jovens portadoras de transtornos alimentares, já que esta prática aumenta as chances de sucesso do tratamento.

Fonte: le Grange D, Lock J, loeb K, Nicholls D. Academy for Eating Disorders Position Paper: The Role of the Family in Eating Disorders. International Journal of Eating Disorders, 2010. 43,1:1-5.

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As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Livro de auto-ajuda para quem sofre de compulsões alimentares

Um episódio de compulsão alimentar é definido como ingerir uma quantidade grande de alimento, maior que a habitual para a ocasião (no almoço, no jantar, num lanche, etc), ingestão esta que é acompanhada pela sensação de perda de controle. Além disso, o episódio deve ocorrer num período limitado de tempo, que em geral é menor que duas horas.

A compulsão alimentar está presente em cerca de 7 % dos adultos. Ela pode estar presente em sujeitos sem transtorno mental ou estar associada a quadros psiquiátricos como transtornos alimentares (alguns subtipos de anorexia, na bulimia nervosa e no transtorno de compulsão alimentar periódica) e transtornos do humor, como quadros depressivos ou do espectro bipolar. Compulsões alimentares também estão presentes em cerca de um terço dos pacientes que procuram serviços de referência para tratar obesidade. Além disso, elas estão associadas a um risco maior de desenvolver problemas médicos como o aumento das taxas de colesterol e triglicérides no sangue, aumento do risco de diabetes e obesidade a longo prazo. Desta forma, é importante procurar auxílio médico para tratar esta condição.

Para quem ainda não conseguiu tratamento médico especializado, a boa notícia é que existe um excelente livro de auto-ajuda para auxiliar a superar o problema. Seu título é “Overcoming Binge Eating”, do autor Dr. Christopher Fairburn, terapeuta da linha cognitivo-comportamental especialista no tratamento de transtornos alimentares, com inúmeras publicações científicas internacionais na área. Infelizmente o livro ainda só está disponível em inglês.

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