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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A importância do sono dos pequenos

Problemas crônicos de sono podem ter impacto negativo no funcionamento da criança e da família. Tanto a qualidade quanto a quantidade adequada de sono da criança são fundamentais pois geram conseqüências no seu funcionamento físico, emocional, cognitivo e social. Além disso, problemas de sono podem exacerbar transtornos médicos, psiquiátricos e de desenvolvimento do pequeno.

Crianças e adolescentes com sono inadequado podem apresentar sonolência diurna excessiva, cansaço, dificuldade de concentração e aprendizado e mal humor.

Desta forma, é preocupante o dado de que as crianças hoje em dia não estão dormindo o suficiente. A tabela ao lado, produzida com os resultados do estudo Sleep in America de Polls 2004 e 2006, mostra as horas de sono que crianças e adolescentes estão tendo comparado com aquilo que elas deveriam ter. Fatores da atualidade como a menor supervisão dos pais, violência, envolvimento excessivo das crianças em atividades acadêmicas, sociais e atléticas, rotina de trabalho dos pais, interferência de itens de mídia (como televisão, internet, vídeo games e celulares), são conflitantes com uma quantidade suficiente de sono e até mesmo com a qualidade do mesmo.

Neste contexto, o desenvolvimento daquilo que se denomina uma "higiene do sono adequada" é fundamental. Higiene do sono é um conjunto de comportamentos e condições que promovem qualidade e quantidade adequadas de sono. A lista a seguir ilustra as áreas que devem ser alvo de melhora para o desenvolvimento de hábitos de sono saúdáveis:
  • temperatura, luminosidade e nível de ruído do quarto da criança (deve ser fresco, escuro e quieto)
  • o quarto deve conduzir a criança ao sono (A criança divide o quarto com alguém? Divide a cama? Tem mais alguém no quarto acordando a criança durante a noite? O quarto é seguro?)
  •  evite cafeína no final da tarde ou a noite
  • exercício físico (é bom durante o dia, mas deve ser evitado a noite antes de dormir)
  • demandas acadêmicas, sociais e vocacionais (minimize a interferência com o horário de sono)
  • restrinja os eletrônicos no quarto (por exemplo, televisão, computador, telefone celular ou mensagem de texto) no horário de dormir
  • O que a a criança pensa enquanto tenta dormir? Alguma preocupação específica?
  • Existe uma rotina consistente para deitar-se e dormir? A criança vai para a cama e se levanta a mesma hora todos os dias?
  • Coloque o bebê/criança no seu berço/cama sonolento porém não dormindo, para que eles possam aprender a dormir sozinhos
O primeiro passo para tratar uma higiene do sono inadequada na criança é educar tanto pai quanto criança sobre hábitos saudáveis em níveis de desenvolvimento apropriados, inclusive para a criança (a explicação para a criança tem que ser compreensível, de acordo com a idade). A importância do tempo suficiente de sono e da rotina consistente do mesmo devem ser enfatizados, além de se discutir as possíveis conseqüências maléficas da privação de sono.

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Fontes: (1) National Sleep Foundation. Sleep in America. Poll 2004. Washington DC: National Sleep Foundation, 2004.; (2) National Sleep Foundation. Sleep in America. Poll 2006. Washington DC: National Sleep Foundation, 2006; (3) Moore M, Allison D, Rosen C. A Review of pediatric nonrespiratory sleep disorders. Chest 2006:130:1252-62.
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As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Seu bebê dorme mal? Você pode estar estimulando maus hábitos de sono.

Bebês e pré-escolares podem "aprender insônia" com os pais. Saiba como prevenir e combater este grande mal, que pode interferir com a relação do casal e o rendimento profissional.

A "insônia aprendida", denominada no meio médico de insônia comportamental da infância (no inglês behavioral insomnia of childhood) é definida como dificuldade em conciliar ou manter o sono com uma causa comportamental clara. Este distúrbio é extremamente commum em bebês e pré-escolares, chegando a uma taxa de 10 a 30% desta população.

O subtipo associado ao início do sono (no inglês Sleep-Onset-Association type) é caracterizado pelo fato do bebê ou criança depender de estímulos, objetos ou ambientes para iniciar ou retornar ao sono. já o subtipo limites ambientais (no inglês Limit-Setting type) é tipicamente associado ao momento de colocar o bebê no berço (ou a criança na cama) ou a recusa a dormir resultante de limites ambientais inaadequados. Em geral crianças jovens tem aspectos de ambos os tipos.

A insônia comportamental da infância é prevenível com intervenções  precoces e educação dos pais  a respeito de habitos de sono apropriados como, por exemplo, rotinas regulares de sono e de horários, colocar a criança acordada no berço, para que ela aprenda a dormir sozinha.

O tratamento da insônia comportamental da infância começa com educar os pais a respeito de implementar hábitos de sono apropriados que em geral inclui alguma forma "extinção" (técnica comportamental) do comportamento não desejado (por exemplo, resistência a ir para a cama ou para o berço). São técnincas de extinção ignorar os comportamentos negativos da criança (choros, gritos ou pedidos para sair da cama) até ser hora do bebê/criança despertar-se. Existem abordagens mais graduais (e menos traumáticas para alguns pais!) que envolvem checagem do bebê/criança em intervalos pré-estabelecidos. Esta última abordagem é muito bem ensinada no livro "Nana, Nenê. Como resolver o problema de insônia do seu filho", dos autores Eduard Estivil e Sylvia de Béjar, da editora Martins Fontes.

Nos casos de pais que têm o desejo e disposição de implementar um plano por conta própria, educação a respeito de técnicas de extinção, informações na internet e/ou livros de auto-ajuda como o supra citado e o desenvolvimento colaborativo de um plano de extinção podem ser sufientes para resolver o problema. Para algumas famílias, como aquelas com queixas complexas e de longa duração, pode ser necessário o encaminhamento para um profissional de saúde mental.

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Fontes: (1) A Review of Pediatric Nonrespiratory Sleep Disorders. Chest 2006:130; páginas 1252 a1262; (2) "Nana, Nenê, como resolver o problema de insônia do seu filho" (livro dos autores Eduard Estivil e Sylvia de Béjar, da editora Martins Fontes)