quarta-feira, 31 de março de 2010

Uma leitura para viver de bem com o seu cérebro


Recentemente um paciente me presenteou com um exemplar do livro "O cérebro nosso de cada dia" da autora Suzana Herculano. Comecei a ler o livro sem compromisso e tive uma grata surpresa. Trata-se de um livro que aborda a importância de coisas básicas na vida - como uma boa noite de sono, dar e receber carinho, etc - para cultivarmos o nosso bem-estar. E cada uma das dicas vem acompanhada de uma explicação científica acessível ao leigo de como o cérebro funciona e do porque o ato recomendado nos faz bem. Uma leitura imperdível para muitos: desde dos interessados nas descobertas científicas do funcionamento cerebral até aqueles que querem, simplesmente, viver melhor.

domingo, 7 de março de 2010

Material de auto-ajuda para pais e familiares de crianças com transtorno afetivo bipolar

Caso você tenha um filho ou uma criança na família com transtorno afetivo bipolar (TAB), saiba que já existe disponível uma série de materiais informativos e de auto-ajuda de muita qualidade na área. Um deles é o livro do autor Boris Birmaher "Crianças e Adolescentes com Transtorno Afetivo Bipolar". Birmaher é pesquisador de renome internacional especialista no campo que optou por produzir um livro direcionado ao público leigo dando informações sobre TAB na infância. Trata-se de um livro muito útil.

Outra fonte preciosa de informação é o site em língua inglesa http://www.bpkids.org/ da Child & Adolescente Bipolar Foundation (CABF). Neste site é possível encontrar informações para pais, familiares, artigos direcionados para adolescentes portadores e também para profissionais da área (artigos, guidelines, etc).

Também existe a Associação Brasileira para Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afeitvos - a ABRATA - cujo link encontra-se na barra lateral esquerda deste blog. A Abrata fornece também material informativo sobre TAB em seu site e encontros regulares com especialistas na área.

Informar-se é um dos importantes recursos que está ao seu alcance para ajudar o seu filho ou familiar a controlar este quadro. Também pode te dar os instrumentos necessários para ajudar a sua criança a enfrentar este problema de frente e conhecê-lo a fundo.
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As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.

Como se faz o diagnóstico de transtorno afetivo bipolar na infância

Até alguns anos atrás acreditava-se que o transtorno afetivo bipolar (TAB) - um transtorno do humor onde o portador pode sofrer fases de depressão, de euforia e/ou irritação - não ocorria em crianças. No entanto, pesquisas na área da psiquiatria da infância e da adolescência têm mostrado não só que este quadro pode estar presente em crianças como, se não tratado e diagnosticado precocemente, pode evoluir para um quadro grave, altamente incapacitante e com repercussões muito negativas para a criança, para a família e para a sociedade.


Prevalência

A ocorrência de transtorno afetivo bipolar (TAB) em crianças e adolescentes parece estar em torno de 0 a 0,6. Já a ocorrência de TAB em adolescentes parece ser similar a aquela em adultos e está em torno de 1,5%. Crianças filhos de de pai ou mãe com TAB tem um risco mais alto de desenvolver um problema de humor e apresentam um risco de cinco vezes maior de desenvolver um TAB que aquelas filhos de pais sem o diagnóstico.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Minha filha tem um transtorno alimentar. E agora?

Muitos pais ao terem a filha (ou filho) diagnosticado com um transtorno alimentar são invadidos por um turbilhão de sentimentos que incluem medo, sentimento de culpa, insegurança, raiva, entre outros. Não é incomum pais perguntarem "Doutora, onde foi que erramos?" ou mesmo chegarem ao consultório médico sem saber por onde começar para ajudar a filha a superar o transtorno alimentar. Sem saberem como agir e como abordá-la, muitos acabam acompanhando o quadro a distância, sentindo-se culpados e achando que o melhor é manter o distanciamento, quando já existem evidências científicas de que a melhor postura é justamente a contrária a esta.

Em primeiro lugar é importante ressaltar que, apesar da família poder contribuir para a causa ou mesmo a manutenção de um transtorno alimentar, os pais não podem ser considerados a causa primária  ou mesma exclusiva do transtornos alimentar em suas filhas. A própria Academy for Eating Disorders (AED, uma academia internacional que reúne especialistas do mundo todo) publicou recentemente um artigo de posicionamento reafirmando a não culpabilidade exclusiva da família na gênese do transtorno alimentar e a importância de sua participação no processo de cura (clique aqui para ler artigo do blog sobre o posicionamento da AED). Os transtornos alimentares são considerados quadros de causas múltiplas que se combinam para gerar a doença e podem envolver fatores genéticos, ambientais e/ou familiares na sua origem.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Crianças com autismo podem ter risco igual ou maior que população geral para obesidade

Um estudo publicado em fevereiro de 2010 no periódico científico BMC Pediatrics chegou a conclusão de que crianças portadoras de autismo podem ter risco igual ou até mesmo maior que a população geral para obesidade. O estudo foi realizado com os dados do National Survey of Children's Health 2003-2004(NSCH), conduzido nos EUA, com crianças e adolescentes de 3 a 17 anos.

Os resultados mostraram que a prevalência de obesidade em crianças com autismo foi 30,4% enquanto que nos pares sem o quadro a prevalência foi de 23,6%. Segundo os autores do estudo, estes resultados mostram que crianças e adolescentes com autismo apresentam, ao menos, o mesmo risco para obesidade que crianças sem o quadro, no entanto, este risco pode ser até maior que o da população geral. Como o número de crianças autistas no estudo é pequeno, não se pode concluir que o risco de obesidade é realmente maior, mas pode-se se dizer que é, no mínimo, igual.


Fatores de risco para obesidade nos portadores de autismo

Fatores de risco que podem estar contribuindo para crianças e adolescentes portadores de autismo manifestarem esta tendência a obesidade são aqueles relacionados a um padrão atípico de atividade física e alimentação nesta população, como:

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Paroxetina pode diminuir eficácia do tamoxifeno no tratamento de câncer de mama

Um estudo populacional prospectivo realizado com mulheres portadoras de câncer de mama e sendo tratadas com tamoxifeno em Ontário, no Canadá, publicado em fevereiro de 2010 no British Medical Journal, revelou que o uso concomitante com o antidepressivo paroxetina aumentou o risco de morte por câncer de mama nestas mulheres. Este resultado se deve, provavelmente, ao fato de a paroxetina inibir a enzima hepática CYP2D6, que tem um papel crítico na ativação metabólica e na efetividade clínica do tamoxifeno. É importante ressaltar que o estudo não encontrou este risco com outros antidepressivos.

O tamoxifeno é uma medicação utilizada há três décadas no tratamento de câncer de mama. Trata-se de um modulador seletivo do receptor de estrogênio. Ele é metabolizado no fígado pelo sistema de enzimas do citocromo P450 isoenzima 2D6 (CYP2D6) para produzir os metabólitos ativos, ou seja, aqueles responsáveis pelo efeito terapêutico do tamoxifeno. Em mulheres com câncer de mama em estágio inicial com tumor positivo para receptores de estrogênio, o uso de tamoxifeno reduz o risco de recorrência do câncer para a metade e o risco de morte pelo mesmo para um terço. Esses benefícios são independentes da quimioterapia, idade ou das características do tumor.

A paroxetina, por sua vez, é um antidepressivo da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, largamente utilizada no tratamento de quadros depressivos e ansiosos em todo o mundo. Ela é um potente inibidor da enzima CYP2D6, a mesma enzima que é fundamental na ativação metabólica do tamoxifeno. Cerca de 25% dos portadores de câncer de mama acabam sofrendo um quadro depressivo. Desta forma, esta população recebe com muita freqüencia a prescrição  de novos antidepressivos e, muitas vezes, fazem uso concomitante de tamoxifeno. Assim sendo, os autores do estudo consideraram de grande importância conhecer o impacto do uso de antidepressivos na evolução desta população.

Para esta avaliação, o estudo realizado foi do tipo coorte (prospectivo) e acompanhou 2430 mulheres que viviam em Ontário, Canadá, com 66 anos ou mais, tratadas com tamoxifeno para câncer de mama. O resultado encontrado foi extremamente importante: o antidepressivo paroxetina durante o tratamento com tamoxifeno para câncer de mama esteve associado a um risco maior de morte, o que reforça a hipótese de que a paroxetina pode reduzir ou até mesmo abolir os benefícios do tamoxifeno em mulheres portadoras de câncer de mama. Este risco não foi encontrado para outros antidepressivos.

Fontes: (1) Artigo científico Selective serotonin reuptake inhibitors and breast cancer mortality in women receiving tamoxifen: a population based cohort study, disponível na íntegra no site do BMJ. Referências artigo: Kelly CM, Juurlink DN, Gomes T, Duong-Hua M, Pritchard KI, Austin PC, Paszat LF.Selective serotonin reuptake inhibitors and breast cancer mortality in women receiving tamoxifen: a population based cohort study.BMJ. 2010 Feb 8;340:c693. doi: 10.1136/bmj.c693.; (2) Artigo "Antidepressivo reduz ação de remédio contra câncer, publicado no carderno Sáude da Folha de São Paulo, 3a. feira, 16 de fevereiro de 2010.
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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Estudo americano identifica "idade de virada" para crianças com excesso de peso e obesidade

Um estudo americano retrospectivo, a ser publicado no periódico científico Clinical Pediatrics, baseado na revisão das curvas de peso de 184 pacientes com sobrepeso, obesidade ou ganho excessivo de peso entre 2 e 20 anos, encontrou que metade do grupo já apresentava sobrepeso antes mesmo dos 2 anos de idade. Este estudo indica que o período crítico para a prevenção de obesidade neste grupo de pacientes deve começar antes mesmo dos 2 primeiros anos de vida e, para alguns, por volta dos 3 meses de idade.

Segundo o coordenador do estudo, John Harrington, da Eastern Virginia Medical School, os resultados devem chamar a atenção dos médicos. “Fazer com que pais e crianças mudem hábitos arraigados é um desafio monumental, repleto de decepções. O estudo indica que pode ser necessário discutir ganho de peso inapropriado no início da infância para que haja uma redução significativa na atual tendência de obesidade”, diz ele.

Apesar de as razões para o ganho de peso excessivo na infância e adolescência ainda não serem conhecidas, os especialistas na área afirmam que alguns fatores que contribuem para isso são uma dieta inadequada, a introdução de alimentos a bebês muito cedo e a falta de exercício.

Fontes: (1) Harrington JW, Nguyen VQ, Paulson JF, Garland R, Pasquinelli L, Lewis D. Identifying the "Tipping Point" Age for Overweight Pediatric Patients. Clin Pediatr (Phila). 2010 Feb 11. [Epub ahead of print]; (2) Artigo Tendência à obesidade costuma ser definida antes dos 2 anos, diz estudo (site da BBC Brasil); (3) Artigo Estudo diz que tendência à obesidade costuma ser definida antes dos 2 anos (site O Globo).
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